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30 abril 2017
O SUICÍDIO DE CÍCERO
Queridos pais:
Agora eu entendo porque a Clara saiu de casa. E porque eu sinto falta dela a maior parte do tempo. Ela compreendeu algo que está custando minha vida no momento. E tenho certeza que quando vocês entrarem no meu quarto mais tarde vocês vão tentar entender. E isso é bom. Quem sabe assim a gente evita que outros filhos acabem como eu. Ou outros pais sejam como vocês. Não culpo vocês por tudo. Vocês tentam nos mostrar o quão dura a vida pode ser, ou melhor: é. Mas vocês acabam exigindo demais de nós. E nós acabamos exigindo ainda mais de nós mesmos, porque qualquer coisa é melhor do que chegar em casa e ser chamado de irresponsável, inútil, idiota, burro e outros nomes que lhe vieram na mente na hora. Vocês não sabem o quanto nos machuca ouvir tudo isso. Eu gostaria que vocês vissem que eu era um dos bons. E que futuramente eu iria me tornar alguém que vocês se orgulhariam.
16 abril 2017
Fragmento de um Amor Escondido
Uma vez eu ouvi que era burrice aceitar apenas a amizade de uma pessoa por quem você é apaixonado. E isso me atingiu como um tapa na cara, um balde de água gelada sobre mim. E me fez ver o quando eu estava tentando adiar o inevitável. Eu teria que me afastar da Nina, pois, uma hora ou outra, o que eu sinto por ela iria me fazer mal.
Me fez ver o quanto eu estava sendo tolo ao esperar por uma coisa que não iria acontecer. Me fez ver que eu não podia, e não dava para me contentar com tão pouco, quando o que eu queria era muito. Quando o que eu esperava dela era o amor que não viria. Estava estampado na minha cara que só a sua amizade não me bastava, mas era apenas isso que ela tinha a me oferecer. E por um bom tempo eu quis me convencer de que isso era melhor que excluí-la de uma vez por todas da minha vida.
Quis me convencer de que essa seria a atitude de quem gosta de verdade, de preferir as migalhas de carinhos do que nada. Talvez uma pessoa forte e de espírito evoluído conseguisse passar por essa situação numa boa, e por um momento eu realmente quis aparentar e ser forte o bastante. Mas me desculpa, eu sou fraco. E era inevitável que isso me machucaria, estava nítido que eu estava aceitando as pequenas doses de dor que estavam me atingindo, fingindo que ainda havia alguma esperança, que talvez ela viesse a prestar atenção em mim, e dar valor ao que sinto por ela.
Eu tinha esperança que um dia esse sentimento viesse a se tornar recíproco. Acho que a miopia dela me atingiu, e eu não quis ver o que estava bem na minha frente. Não quis ver que tudo isso estava sendo em vão. Estava guardando um amor para alguém que não estava disposta a recebê-lo.
Me fez ver o quanto eu estava sendo tolo ao esperar por uma coisa que não iria acontecer. Me fez ver que eu não podia, e não dava para me contentar com tão pouco, quando o que eu queria era muito. Quando o que eu esperava dela era o amor que não viria. Estava estampado na minha cara que só a sua amizade não me bastava, mas era apenas isso que ela tinha a me oferecer. E por um bom tempo eu quis me convencer de que isso era melhor que excluí-la de uma vez por todas da minha vida.
Quis me convencer de que essa seria a atitude de quem gosta de verdade, de preferir as migalhas de carinhos do que nada. Talvez uma pessoa forte e de espírito evoluído conseguisse passar por essa situação numa boa, e por um momento eu realmente quis aparentar e ser forte o bastante. Mas me desculpa, eu sou fraco. E era inevitável que isso me machucaria, estava nítido que eu estava aceitando as pequenas doses de dor que estavam me atingindo, fingindo que ainda havia alguma esperança, que talvez ela viesse a prestar atenção em mim, e dar valor ao que sinto por ela.
Eu tinha esperança que um dia esse sentimento viesse a se tornar recíproco. Acho que a miopia dela me atingiu, e eu não quis ver o que estava bem na minha frente. Não quis ver que tudo isso estava sendo em vão. Estava guardando um amor para alguém que não estava disposta a recebê-lo.
-Texto de Adriano Pinheiro
01 outubro 2016
Pensamentos no Coletivo | Por: Gabi Farias
Dou sinal. Subo. Passo pelo cobrador. Viro a roleta. Quase que não passo. Lotado.
Dou sinal. Subo. Passo pelo cobrador. Viro a roleta. Acho uma cadeira. Pego meu livro e inicio mais um capítulo do meu livro. Ainda bem que estava vazio.
Dou sinal. Subo. Passo pelo cobrador. Viro a roleta. Conheço aquele sorriso. Oi amiga. Converso.
Dou sinal. Subo. Passo pelo cobrador. Viro a roleta. Lotado. Conheço aquele sorriso. Oi amiga. Ela estende o braço e segura minha mochila. Conversamos.
Dou sinal. Subo. Passo pelo cobrador. Viro a roleta. Quase não passo. Lotado. E agora? Pensamentos...
Vou pensar no namorado... Não, não tenho. Eita, que roupa é essa? Meu Jesus amado. Que garoto bonito. Será que é solteiro? Ai, não consigo respirar. Será que alguém vai descer na próxima? O que vou fazer quando chegar em casa? Já sei. Vou fazer uma lista na minha cabeça sobre o que vou fazer quando chegar em casa. Primeiro vou tomar banho, depois eu vou comer, em seguida vou est... Ah, deixa pra lá. Eu nunca sigo a lista mesmo. Eita, que freada... Esse motorista não sei não. Vish, tenho que ficar de olho na minha bolsa. Esse ônibus está muito favorável para ter furto. Nos dias de hoje é assim...
E agora? Preciso me aproximar da porta o mais rápido possível. A parada que vou descer já está muito perto. Com licença! Deixa eu passar, por favor? Ai. Ufa! Consegui. Desci. Amanhã tem mais.
P.S.: Os textos da coluna "Contos & Crônicas" são do meu arquivo pessoal, espero que gostem! Beijinhos!!
16 setembro 2016
VIAGEM
"Aêh!! Vamos viajar!!! Nada de aê, ou ainda melhor, aê que chato!!"
Sou uma pessoa que adora viajar, conhecer coisas, pessoas e lugares novos. Sabe aquela sensação de arrumar a mala e pensar qual roupa vai usar em cada ocasião? E aquela, de estar levando coisas demais, mas vai continuar assim mesmo? Pois é... Eu gosto disso!
Mas você deve está se perguntando sobre aquele meu pensamento do começo do texto. Então, por questões $, eu e minha família sempre viajamos para o mesmo lugar, um cidadezinha próxima da capital chamado Paracuru. Cidade praiana e aconchegante, Paracuru é conhecida pelos carnavais animados e réveillons muito divertidos. Fora dessas temporadas, essa cidade é calma e tranquila, opção perfeita para quem quer deitar em uma rede e ler um livro. Perfeito, não é mesmo? De fato. Tanto é, que é a diversão preferida dos meus pais. Não ler um livro, mas deitar numa rede e passear na beira do mar.
Mais uma vez você deve estar se perguntando o porquê da minha primeira frase. Vou explicar. É que eu já fiz tanto esse programa que EU CANSEI!! São 18 anos vindo para essa mesma cainha de telhas e fazendo as mesmas coisas de sempre. Nunca trouxe amigos e muito menos namorado (talvez quando eu arranjar um...). Vir para cá se tornou algo cansativo e sem graça. Já conheço cada parte dessa cidade e não sou de ter amigos aqui e sair com eles. Sou caseira mesmo.
Mas Gabi, você não disse que é bom de ler em Paracuru? Sim, é tranquilo. Mas todas as vezes que eu vou, eu leio. Não tem novidades, é sempre a mesma perspectiva. Como eu disse, cansativo. Paracuru é uma paz tão grande que no período que fico lá só durmo e me alimento. Leio um pouco também, mas dificilmente faço algo de produtivo. Gosto de ir à praia, levo meu livro, mas findo não lendo nada.
E toda vez é a mesma coisa!! Uma vez uma pessoa me disse que ninguém toma banho no mesmo rio, por causa da correnteza. Quem sabe dessa vez tenha algo de novo.
Agora tenho que ir! Tchau!!
P.S.: Os textos da coluna "Contos & Crônicas" são do meu arquivo pessoal, espero que gostem! Beijinhos!!





